quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Artes Marciais

Artes marciais é uma cultura milenar e que todo povo teve. Todo grupo de pessoas quando entrou em estado de civilização precisou se defender de outros grupos que também se formavam, e ai nascia às artes de defesa, as técnicas de guerra.

Não importa onde estavam às classes guerreiras sempre existiram. Na Europa, America, Oceania, África e Ásia as classes de guerreiros sempre teve um papel importante na sociedade. Elas defendiam os seus membros das invasões, E com isto, davam continuidade a cultura do grupo que se fosse dominado acabaria sendo submetida à outra cultura, a morte ou a escravidão. Estes guerreiros mantiam a ordem e suportavam a sina de serem sempre os primeiros a morrer em uma invasão.

Os povos asiáticos são os primeiros que temos em mente ao falar de artes marciais. Nos cinemas nossos heróis lutadores são sempre orientais. Tenho muito apreso pela cultura oriental, mas saibamos que todos os povos tiveram suas artes maciais.

Além de serem usadas para a defesa da comunidade as artes marciais eram utilizadas para o autoconhecimento. Ensinavam os guerreiros a lidar com suas emoções em situações de extremo perigo e sozinho em um combate. Ensinavam como usar a mente em estado de stress, um erro e a morte era fatal. O corpo era treinado ao máximo, chegando à exaustão. Tudo isto os levava a ser admirados e respeitos.

Eram muitas provas que o guerreiro tinha que passar para vencer o que mais atrapalha o homem no dia a dia, o medo.

Devemos lembrar que no Japão antigo nem todos poderiam praticar artes marciais. Esta era restrita a uma classe, que guardava suas técnicas como um tesouro. Cada escola possuía técnicas secretas. Os camponeses não tinham o direito de treinar, mas o fascínio era tanto e a necessidade de se defender em um mundo hostil fez com que muitos camponeses também desenvolvessem suas artes marciais. O próprio karate é uma arte desenvolvida por camponeses. Dizem que as técnicas ninjas também eram praticadas por não membros dos clãs de samurais e aqueles possuíam um código de honra muito rígido como o dos samurais.

Hoje temos a popularização das artes marciais, qualquer um pode entrar em uma escola e aprender. Podemos dizer que há uma democratização destes conhecimentos milenares. Eu recomendo a quem puder praticar uma arte marcial, pratique. Não faço propaganda de nenhum estilo. Escolha o que melhor lhe agrade. São tantas e de origens diversas. O que oriento é que observe o mestre que passa os conhecimentos, como é a escola. Se for para colocar os filhos, veja o aspecto de segurança e integridade emocional. Muito instrutores atualmente não possuem treinamentos para orientar os alunos nos planos mentais e emocionais. Com a democratização aconteceu isto com quase tudo. Muitas escolas são apenas negócios, tudo neste nosso mundo tem que virar dinheiro, os elementos Fogo e Ar ficam de lado quando o assunto é grana.

Nestes dias perigosos, saber se defender é muito importante. Digo se defender. Nunca usar a violência para se impor. Ter um controle maior das emoções ajudara a sobreviver neste cenário que podemos dizer caminha para uma guerra. A maldade parece estar à flor da pele e nunca sabemos de onde vem o perigo e a covardia. São tantos os relatos de violências estúpidas na televisão que se pensarmos muito ou acreditarmos somente no que é nos passado nem saímos de casa. O bom é que a verdade é diferente. Têm acontecido muitas ações positivas no mundo que a mídia não mostra. Este não é o interesse deles. O medo parece que vende mais e condiciona a população a se tornar marionete nas mãos de interesses ocultos.

Artes marciais para as crianças é uma forma de se socializar e aprender a se defender se preciso for. Esperamos que um dia elas voltem ao seu aspecto de escola, onde não só técnicas sejam ensinadas mas também uma filosofia. Isto já esta acontecendo. Algumas artes fazem isto. Este nosso trabalho do Katápi é também visando isto. Um dia teremos professores ensinando além de seu estilo de luta nossa filosofia que é de fácil aprendizado pela população ocidental e brasileira.

Não nos prendemos a nomes que não fazem sentido para nós. Muitos poderão nos criticar; o que é normal; apenas digo que estudem a cultura japonesa, ela foi criada a partir da cultura chinesa. Aprenderam e recriaram uma nova cultura com a essência da cultura mãe. Muitos japoneses foram enviados a china para estudar e aprender, muitos livros chineses era usados em seus ensinamentos e nem por isto tiveram uma cultura inferior. A civilização evolui assim, aprendendo a aprender e criando coisas novas para novos povos.

Existe algo novo acontecendo no Brasil. Somos um povo novo, mas com grande potencial. Temos a melhor das virtudes que um povo pode ter que é a aceitação. Toda cultura pode vir e incorporar aqui. Somos varias nações em um território. Isto é belo e trás poder de criação. Somos um manancial fértil onde potencialidades diferentes se misturam e com certeza novas formas estão a surgir a todo o momento. Antes de uma civilização surgir como força no cenário mundial, ela passar por um processo que chamamos de absorção de culturas diferentes e daí surge à nova cultura, uma nova civilização. Exemplo clássico disto podemos dizer a respeito do jiu-jítsu. Veio para o Brasil e aqui se transformou em uma arte genuinamente brasileira. Hoje os japoneses mandam os praticantes de jiu-jítsu de lá vir aprender aqui no Brasil. As faculdades de La fazem convênios com algumas aqui para ter trocas de alunos. Os que treinam karate aqui vão para lá aprender e os que treinam jiu-jítsu La vêm aprender aqui. Na Europa existe torneio Europeu de Brasilian Jiu-Jítsu. Falta nossos governantes passarem a olhar isto com mais carinho e não deixar que perder este potencial, pois esta acontecendo que nossos melhores atletas estão a sair do país. Espero que esta arte seja desenvolvida aqui e que um dia ela também posso ter não só a técnica, mas a essência de uma filosofia marcial por trás, para ai sim, formarmos homens novos de verdade. Para completar este pensamento, temos que lembrar que um povo não exporta apenas mercadorias; exporta tecnologia, serviços, inovações e cultura. Está chegando a hora do Brasil exportar o que tem de melhor, que é nossa cultura e para isto temos que trabalhar o ser humano pois é ele que faz a cultura. Muitos povos estão vindo a nós em busca disto. Temos que enxergar este potencial. Os empresários, que considero homens de ação, e o governo devem olhar para isto e rápido.

Estive na Bulgária em 2005 e fiquei feliz em escutar no radio a convocação de um jogador brasileiro para um time local. Estamos a exportar jogadores a um bom tempo. Tive noticias que lá também está tendo torneio de Brasilian Jiu-jítsu. Estive no Peru e fui a uma banca de jornal, vi uma pagina inteira apenas falando sobre capoeira. A cultura é nossa grande riqueza. Nosso povo é nossa grande riqueza.

Estava falar sobre artes marciais, mas me empolguei. E vou continuar com o que está me empolgando. Nós temos um produto para exportado e que nenhum outro povo tem e que esta a necessitar. Dizem os administradores que não se cria a necessidade apenas o desejo; peço desculpas e perdão, mas vou abolir isto agora. O mundo está com necessidades de brasilidade. Não digo da cultura nacional, pois não creio em nacionalismo para o nosso país. Não temos uma nação, mas varias nações em um território. Mas temos algo melhor e que podemos sim defender, não com punhos fechados e xenofobias histéricas que não combinam em nada com nosso povo. Temos o espírito da brasilidade. Este espírito é alegre, criativo, fraterno, cordial e o mundo sente necessidade dele. Este espírito esta em todas as nações brasileiras. Peguemos um filho de japoneses que veio ainda criança para o Brasil. Quando este menino vai à escola, ele é chamado pelo coleguinha de “japa”. Esta criança cresce e aos vinte anos vai a sua terra natal, vejam que ele não nasceu no Brasil que considera brasileiro o nascido em terra nacional. La chegando seus amigos de trabalho e até familiares os apelidam, e sabem de que? De brasileiro. E vejam que formalmente ele não é brasileiro. O que é isto? É brasilidade.

Outros povos estão vindo aqui não apenas pra pegar nossos produtos mas pra absorver também nossas culturas. Um dia até Katápi será fonte de apreciação pelos brasileiros e outros povos. Katápi é uma filosofia brasileira com as características do Brasil: ampla, prática e simples.